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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Bon Iver - o início

Eu faço parte daquele grupo de pessoas que quando ouviu BonIver pela primeira vez pensou que o nome se pronunciava “Bon Aiver”, isto porque apenas li o nome numa Uncut ou Mojo que para aí andam e, como boa menina, tenho os meus ouvidos totalmente americanizados, assim faria todo o sentido pronunciar "Bon Aiver" e não Bon Iver. A questão é que Bon Iver é o que parece. Significa mesmo Bom Inverno, sem pretensões de maior. É isto e só isto. E é tão bom.

A música de Justin Vernon - o nome de nascença do rapaz - é como os Santini que eu não quero acabar de comer, no entanto quando acabo sou a pessoa mais feliz do mundo. A este estado chama-se prazer. É o que sinto quando acabo de ouvir Bon Iver.

Sou maluca por falsetes e por histórias tristes. Bon Iver junta as duas numa só. A primeira performance que vi dele foi também num dos primeiros Tonight Show com Jimmy Fallon. Comecei por ver como se safava o apresentador no “lugar” de Conan O’Brien e acabo a babar-me com o Justin que, na altura, tocava sozinho.
Justin Vernon compôs todo o primeiro álbum numa cabana isolada no Wisconsin. Estava dorido de amor, tinha sido abandonado pela namorada, a banda da qual fazia parte tinha-se separado e estava fisicamente doente. O que vem a seguir é previsível, o facto de resultar é acima de tudo, talento. Da cabana nasce For Emma, Forever ago, o álbum escutado por todos, porque dores todos as temos e adoramos chorar sobre ela, uma e outra vez.

Justin Vernon nunca pensou que a coisa resultasse, mas resulta, porque a mensagem é simples e global, porque a música injecta-se que nem droga pelos ouvidos acima, porque o falsete masculino saído do coração é uma das melhores coisas que Deus podia ter criado.

E agora é tempo de ouvir de rajada Bon Iver, Bon Iver, o segundo álbum da banda. Da cabana Justin mudou-se agora para um estúdio que é uma antiga clínica veterinária. Alguns dirão que quer com isto demonstrar que continua afastado do mundo mainstream e manter a aura de artista erudito que o caracterizou no primeiro album. Eu apenas espero que Justin tenha exorcizado os seus fantasmas de vez porque a música, essa, já eu sei que gosto, e para mim, é só isso que importa.  Bora lá ouvir isto, então.

Novo Acordo Ortográfico

Eu gosto. É o processo natural de evolução da língua, se assim não fosse ainda estariamos a escrever em latim. De repente minissaia escreve-se assim. MINISSAIA. Soa-me bem :)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O meu caderno vermelho

Nunca tive um blog. Nunca tive um blog porque nunca encontrei o nome certo para um blog. Eu quero escrever sobre tudo, e não quero um nome a limitar-me. Gosto pouco de limites. A escrita é libertadora para mim, porque ao escrever sinto que estou a cumprir um dever, a deixar um legado – ainda que possa ser um legado de palavras ridículo.

Chegou, enfim, aquela altura em que já tenho demasiados caderninhos escritos, demasiadas páginas soltas, post-its e afins, demasiadas palavras que precisam de ser arrumadas. E porque não, aqui? Um espaço ilimitado onde simplesmente posso escrever tudo aquilo que me apetecer. Porque me apetece escrever. E isso chega.

O caderno vermelho tem sido o meu apoio nos últimos tempos. Demasiadas ideias radiofónicas que precisam de ser escritas, demasiadas anotações a “não esquecer” e muitos prazos a cumprir. Eu odeio agendas e só a desorganização colorida do meu caderno vermelho me pode acalmar e desviar das linhas e datas que uma agenda impõe.

Adoro a cor vermelha e odeio chamá-la de encarnado. Diz-se vermelho-sangue e não encarnado-sangue. A paixão e o coração são vermelhos e não encarnados. Encarnado é o Benfica, e esse é inimitável, portanto mais uma razão para deixar o encarnado sossegadinho.

O caderno vermelho tem na capa uma réplica de um quadro do alemão Gustave Klimt, o mais famoso do pintor, Das Küss, ou em português, O Beijo. Não sei como os entendidos interpretam esta pintura (nem sei se quero saber) mas para mim significa a união que quero dar às palavras que escrevo no caderno. Porque este beijo nascido da art nouveau é inspirador e sensual, duas coisas que eu também gosto de ser quando escrevo. Talvez consiga, às vezes. Espero que sim.

Sou uma freak, é oficial.