Em bom dito cinematográfico, Drive encontra-se na categoria do film noir: dramático, violento e escuro, mas não deixa de ser também um filme de ação. Foi Ryan Gosling quem escolheu o realizador do filme, Nicolas Winding Refn, depois de ter lido o guião. Um filme que de inicio era para ter sido interpretado por Hugh Jackman e exigia um financiamento de milhões. Tudo mudou com Refn e a visão de Gosling.
A personagem principal, interpretada por Ryan Gosling, é conhecido apenas como O Condutor. Condutor durante o dia, quando executa o seu trabalho de duplo de cinema, e condutor à noite quando passeia pela cidade o seu Chevrolet Chevelle de 1973.
A história é simples e pouco original. O condutor apaixona-se pela vizinha do lado que tem o marido na prisão. No dia em que sai em liberdade, o marido envolve-se novamente em problemas e o condutor tenta facilitar-lhe a vida, por amor… à mulher dele.
O condutor fala pouco, não por uma questão de contenção mas por feitio. Mesmo sem palavras e com cenas que se estendem por vezes em planos fixos de vários minutos, é impossível desviar os olhos da personagem. O condutor é também um vingador, um sonhador, um apaixonado, e é isto tudo, num silêncio sepulcral.
Se Ryan Gosling merecia a nomeação para Óscar? Não sei. Eu não conseguiria manter um ar tão sereno dentro daquela personagem. As personagens raivosas são mais fáceis de interpretar. Representar no silêncio é difícil. Nem na vida real muitas vezes o conseguimos fazer.
Drive é um thriller de ação, sem correrias, e ainda assim intenso até dizer chega. Eu gostei mas compreendo que seja uma seca para quem adora a saga Velocidade Furiosa.
IN: A interpretação de Ryan Gosling, a SOBERBA banda sonora e a fotografia.OUT: O filme conseguiria ter a mesma intensidade com mais diálogo.
