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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Drive - Risco Duplo






Em bom dito cinematográfico, Drive encontra-se na categoria do film noir: dramático, violento e escuro, mas não deixa de ser também um filme de ação. Foi Ryan Gosling quem escolheu o realizador do filme, Nicolas Winding Refn, depois de ter lido o guião. Um filme que de inicio era para ter sido interpretado por Hugh Jackman e exigia um financiamento de milhões. Tudo mudou com Refn e a visão de Gosling.

A personagem principal, interpretada por Ryan Gosling, é conhecido apenas como O Condutor. Condutor durante o dia, quando executa o seu trabalho de duplo de cinema, e condutor à noite quando passeia pela cidade o seu Chevrolet Chevelle de 1973. 

A história é simples e pouco original. O condutor apaixona-se pela vizinha do lado que tem o marido na prisão. No dia em que sai em liberdade, o marido envolve-se novamente em problemas e o condutor tenta facilitar-lhe a vida, por amor… à mulher dele.

O condutor fala pouco, não por uma questão de contenção mas por feitio. Mesmo sem palavras e com cenas que se estendem por vezes em planos fixos de vários minutos, é impossível desviar os olhos da personagem. O condutor é também um vingador, um sonhador, um apaixonado, e é isto tudo, num silêncio sepulcral.

Se Ryan Gosling merecia a nomeação para Óscar? Não sei. Eu não conseguiria manter um ar tão sereno dentro daquela personagem. As personagens raivosas são mais fáceis de interpretar. Representar no silêncio é difícil. Nem na vida real muitas vezes o conseguimos fazer.

Drive é um thriller de ação, sem correrias, e ainda assim intenso até dizer chega. Eu gostei mas compreendo que seja uma seca para quem adora a saga Velocidade Furiosa.

IN: A interpretação de Ryan Gosling, a SOBERBA banda sonora e a fotografia.OUT: O filme conseguiria ter a mesma intensidade com mais diálogo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Lana Del Rey e a pop mal disfarçada




Lana del rey chama-se Elizabeth Grant. Tentou entrar no mundo da música pelo caminho mais difícil – o mainstream da pop - e não conseguiu. A voz não se evidenciava, a imagem era pobre em exuberância. E assim começa a história.

A voz continua a não ser estrondosa, não tem os graves de Shirley Manson nem faz belting como a Mariah Carey. E então? You can be the boss podia ser pronunciado pelos lábios carnudos de Fiona Apple ou Tori Amos, verdadeiros esses, e perfeitos na hora de colocar a voz. Video Games faz-me lembrar o Happy Birthday Mr. President cantado por Marylin Monroe, mas em bom. A sexyness é a mesma, a interpretação, graças a deus, melhor. Quando se canta bem não é preciso saber cantar.

A imagem, mudada, é agora genuinamente negligé, uma flor no universo Indie, o mesmo universo que lhe aponta o dedo e a trata por embuste clássico. Se há alguém que realmente tenha que se importar com isso é a própria artista, que está no direito de não se sentir bem no papel que representa. O público não tem que odiá-la por ser um “produto”. A música sempre foi e sempre será um bem de consumo, porquê tanta indignação em pegar num artista e melhorá-lo, adequá-lo às necessidades de mercado? Lana del Rey é marketing, sim senhor, mas pelo menos é marketing do bom e dá gosto gostar dela assim.

Lábios de colagénio encantadores, menina aparentemente despreocupada mergulhada na pop mais mal disfarçada de sempre. Não quero saber se ela sente o que canta. Eu sinto. O álbum de estreia,  Born to Die, sai a 30 de Janeiro. Vou ouvi-lo sem parar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Monte dos Vendavais - Emily Brönte


Emily Brönte demorou uma vida inteira a escrever este livro, talvez para ter a certeza de que estava a escrever algo realmente bom, ou então porque sabia que este livro exigia maturidade, aquele que só uma vida inteira nos pode dar.

História encantadora contada numa prosa excelente, crua por vezes. É tudo passado num século de preconceitos, tradições, estigmas e intrigas próprias. A crítica nem sempre foi unânime. Quando lançado, no século XIX, a censura não se fez rogada – era demasiado ousado na maneira como expunha o poder do sexo feminino. São femininas as personagens mais intransigentes, mais indignadas, as que ousam enfrentar o sexo oposto e o mundo. É feminina também a voz da narradora, a governanta Ellen Dean.

O livro narra a história de um amor avassalador e trágico acima de tudo. Um amor que influencia a vida de todos os que o rodeiam. Uma verdadeira história de amor, real, agreste, nada romântica. Um amor que, tal como a obra, se reveste de uma intemporalidade que só os grandes amores e as grandes obras conseguem alcançar.