José Saramago é simplesmente um ótimo escritor. Parece quase cliché dizê-lo. Supõe-se que um Nobel da Literatura escreva bem. Ao ler o "O Memorial do Convento" aos 16 anos apaixonei-me pela escrita de Saramago. Diferente, é certo, mas também por isso tão fascinante. À segunda página já a escrita se havia tornado de fácil compreensão, longe de qualquer metafísica.
"O Evangelho Segundo Jesus Cristo" é mais do que a boa escrita do autor. É um trabalho corajoso. É a habilidade de criar um Deus de verdade, tão verdadeiro ao ponto de envergonhar o próprio leitor que cedo se questiona sobre a existência de um Deus tal como descrito por Saramago. E porque não há-de fazer sentido essa personificação? O Deus de Saramago é, na verdade, um diabinho manipulador da pior espécie, o Diabo é demasiado humano e Jesus Cristo é divino sem o saber e sem nunca o aceitar.
O livro gira à volta de uma questão, não só de Saramago, mas do mundo: Quanto vale afinal a crença cristã? A obra não dá respostas, nem sequer apresenta teorias, é apenas uma perspectiva genial inventada pelo autor.
Para quando me apetece escrever sobre tudo. Para quando te apetece ler sobre qualquer coisa.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Who needs sad songs, anyway?
As músicas emocionalmente intensas fazem bem ao cérebro, é o que diz a ciência. A verdade é que as lamechices soam melhor quando estás triste. Porque é nesses momentos que te dizem alguma coisa. O John Lennon canta Imagine all the people, living life in peace e há mil momentos da tua vida que encaixam, é aquele sentimento de partilha, de não estou sozinho que sabe tão bem. É lindo ouvires alguém cantar o que estás a sentir. É lindo perceber que algures no mundo alguém conseguiu compor o sentimento. O teu. Nesses momentos, a pirosice faz tanto sentido.
O cérebro liberta dopamina quando ouves músicas com mensagens emocionais. As hormonas do prazer fazem-te chorar mas confortam. Na hora da dor, mais vale uma canção triste do que canção nenhuma. Desligar o rádio e ouvir o silêncio é desistir. No one wants you when you lose. Don't give up, 'Cause you have friends. Don't give up, You're not beaten yet. Don't give up. I know you can make it good.
Depois é ouvir Jeff Buckley a cantar esta cover de Nina Simone, fechar os olhos e sentir...o que vier.
If you knew how I missed you
You would not stay away
Don’t you know how I need you?
Stay here… my dear…with me.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Brave New World - Aldous Huxley
Considerada uma das grandes obras do século XX, Brave New World (em português, Admirável Mundo Novo) não é esplêndido. A obra retrata um mundo futuro, ano 632 A.F - After Ford, que será 2540 D.C. Ao mesmo tempo que perspetiva o futuro Aldous critica disfarçadamente o presente industrializado, consumista e standardizado que ele próprio vivia em 1930.
Comunidade, Identidade, Estabilidade é o slogan do Estado Mundial descrito no livro. Aqui toda a gente consome soma diariamente (uma espécie de antidepressivo), os bebés criam-se em laboratório, o conceito família não existe e violência é coisa que ninguém conhece. Bernard Marx, a personagem principal, não é feliz porque se sente desadaptado no mundo onde vive. No fundo, porque pensa pela própria cabeça.
Aldous perspetivou uma série de gadjets que efetivamente existem nos dias de hoje, como as portas automáticas ou os gravadores de voz, mas esperemos que a esterelização das mulheres e o fim do individualismo não se concretizem como o autor previu. É que neste Estado Mundial tudo obedece a uma lógica, toda a gente é feliz e tem aquilo que quer. No entanto, há qualquer coisa que falta no coração dos que lá vivem e a consciência desse facto é assustadora. Será a perfeição da sociedade a morte do ser humano?
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