José Saramago é simplesmente um ótimo escritor. Parece quase cliché dizê-lo. Supõe-se que um Nobel da Literatura escreva bem. Ao ler o "O Memorial do Convento" aos 16 anos apaixonei-me pela escrita de Saramago. Diferente, é certo, mas também por isso tão fascinante. À segunda página já a escrita se havia tornado de fácil compreensão, longe de qualquer metafísica.
"O Evangelho Segundo Jesus Cristo" é mais do que a boa escrita do autor. É um trabalho corajoso. É a habilidade de criar um Deus de verdade, tão verdadeiro ao ponto de envergonhar o próprio leitor que cedo se questiona sobre a existência de um Deus tal como descrito por Saramago. E porque não há-de fazer sentido essa personificação? O Deus de Saramago é, na verdade, um diabinho manipulador da pior espécie, o Diabo é demasiado humano e Jesus Cristo é divino sem o saber e sem nunca o aceitar.
O livro gira à volta de uma questão, não só de Saramago, mas do mundo: Quanto vale afinal a crença cristã? A obra não dá respostas, nem sequer apresenta teorias, é apenas uma perspectiva genial inventada pelo autor.

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