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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Lana Del Rey e a pop mal disfarçada




Lana del rey chama-se Elizabeth Grant. Tentou entrar no mundo da música pelo caminho mais difícil – o mainstream da pop - e não conseguiu. A voz não se evidenciava, a imagem era pobre em exuberância. E assim começa a história.

A voz continua a não ser estrondosa, não tem os graves de Shirley Manson nem faz belting como a Mariah Carey. E então? You can be the boss podia ser pronunciado pelos lábios carnudos de Fiona Apple ou Tori Amos, verdadeiros esses, e perfeitos na hora de colocar a voz. Video Games faz-me lembrar o Happy Birthday Mr. President cantado por Marylin Monroe, mas em bom. A sexyness é a mesma, a interpretação, graças a deus, melhor. Quando se canta bem não é preciso saber cantar.

A imagem, mudada, é agora genuinamente negligé, uma flor no universo Indie, o mesmo universo que lhe aponta o dedo e a trata por embuste clássico. Se há alguém que realmente tenha que se importar com isso é a própria artista, que está no direito de não se sentir bem no papel que representa. O público não tem que odiá-la por ser um “produto”. A música sempre foi e sempre será um bem de consumo, porquê tanta indignação em pegar num artista e melhorá-lo, adequá-lo às necessidades de mercado? Lana del Rey é marketing, sim senhor, mas pelo menos é marketing do bom e dá gosto gostar dela assim.

Lábios de colagénio encantadores, menina aparentemente despreocupada mergulhada na pop mais mal disfarçada de sempre. Não quero saber se ela sente o que canta. Eu sinto. O álbum de estreia,  Born to Die, sai a 30 de Janeiro. Vou ouvi-lo sem parar.

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