Eu faço parte daquele grupo de pessoas que quando ouviu BonIver pela primeira vez pensou que o nome se pronunciava “Bon Aiver”, isto porque apenas li o nome numa Uncut ou Mojo que para aí andam e, como boa menina, tenho os meus ouvidos totalmente americanizados, assim faria todo o sentido pronunciar "Bon Aiver" e não Bon Iver. A questão é que Bon Iver é o que parece. Significa mesmo Bom Inverno, sem pretensões de maior. É isto e só isto. E é tão bom.
A música de Justin Vernon - o nome de nascença do rapaz - é como os Santini que eu não quero acabar de comer, no entanto quando acabo sou a pessoa mais feliz do mundo. A este estado chama-se prazer. É o que sinto quando acabo de ouvir Bon Iver.
Sou maluca por falsetes e por histórias tristes. Bon Iver junta as duas numa só. A primeira performance que vi dele foi também num dos primeiros Tonight Show com Jimmy Fallon. Comecei por ver como se safava o apresentador no “lugar” de Conan O’Brien e acabo a babar-me com o Justin que, na altura, tocava sozinho.
Justin Vernon compôs todo o primeiro álbum numa cabana isolada no Wisconsin. Estava dorido de amor, tinha sido abandonado pela namorada, a banda da qual fazia parte tinha-se separado e estava fisicamente doente. O que vem a seguir é previsível, o facto de resultar é acima de tudo, talento. Da cabana nasce For Emma, Forever ago, o álbum escutado por todos, porque dores todos as temos e adoramos chorar sobre ela, uma e outra vez.
Justin Vernon nunca pensou que a coisa resultasse, mas resulta, porque a mensagem é simples e global, porque a música injecta-se que nem droga pelos ouvidos acima, porque o falsete masculino saído do coração é uma das melhores coisas que Deus podia ter criado.
E agora é tempo de ouvir de rajada Bon Iver, Bon Iver, o segundo álbum da banda. Da cabana Justin mudou-se agora para um estúdio que é uma antiga clínica veterinária. Alguns dirão que quer com isto demonstrar que continua afastado do mundo mainstream e manter a aura de artista erudito que o caracterizou no primeiro album. Eu apenas espero que Justin tenha exorcizado os seus fantasmas de vez porque a música, essa, já eu sei que gosto, e para mim, é só isso que importa. Bora lá ouvir isto, então.
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